domingo, 29 de maio de 2011

Pais de arquibancada

           Nesse sábado Naná participou de sua primeira competição de Ginástica Artística. Até então, tudo que ela tinha feito eram apresentações, sem pontos ou classificação.
               É claro que passei vários e vários dias falando pra mim mesma como deveria me comportar, que mais vale participar, que ela só tem 7 anos, que seria apenas um momento divertido...blábláblá.
              Até tentei expressar minha verdadeira ansiedade perto da minha mãe, que rapidamente, em seu papel de vó falou: " Vc não vai ser igual aquelas mães loucas do programa da Discovery que ficam cobrando dos filhos, né?" (ou qualquer coisa desse tipo...e eu nem sei que programa é esse!).
             Então no sábado fomos todos pra essa estreia tão importante. O Sam que até a noite anterior já tinha declarado que não iria, acordou junto, às 5:30 da manhã e resolveu encarar seu papel de pai torcedor.
            AINDABEM!!! A escola sede do campeonato era muito longe. Não! Era mais que isso, era no fim do mundo , e claro que o meu mapa nos levou até a entrada do Rodoanel, e se não fosse ele, eu estaria agora perdida em Minas Gerais.
            Sam nos salvou e encarou a marginal novamente pra fazer o caminho mais simples, via Jaguaré.
            Então chegamos, com uma hora de atraso pra descobrir que o evento também tinha atrasado (graças a Deus). Naná correu pra ficar com seu time. E me deixou na porta do ginásio segurando o agasalho e tênis.
           " Vai de meia, filha!".
           " Ai, mãe. Ninguém tá de meia. Tchau."
           "Dá um beijo de boa sorte, Naná"
           " Ih, mãe ...tá todo mundo lá." E foi...sem beijo...sem olhar pra trás...
           E eu fiquei, com a roupa, com a máquina , a bolsa e o coração...tudo na mão. Fui encontrar com o Sam na arquibancada lotada de outros pais e mães.
           E sabe o que eu vi? Todo mundo na mesma situação...adultos se revezando na grade pra filmar ou fotografar suas pequenas. Avaliando os desempenhos, torcendo silenciosamente, controlando as frustrações de saltos errados ou de solos esquecidos.
          Um não elogiava a filha do outro...claro éramos rivais na arquibancada também.
          A cumplicidade e a conversa se limitavam ao pai e a mãe: " Ela errou...falei que treinou pouco!" ou   "Conseguimos".
         Cada vez que a Naná subia em um aparelho (é assim que se chama cada etapa da apresentação) eu corria pra grade. O Sam ficava de longe, tenso durante aqueles longos 3 minutos...e sorria aliviado no final.
         Naná acertou a serie da trave, caiu no primeiro salto do cavalo, fez o segundo com perfeição, esqueceu seu solo e fez a oitava (uma cambalhota nas barras paralelas).
        Claro, que tive vontade de falar pra ela onde acho que poderá melhorar da próxima vez e sei que o Sam também pensou isso, mas tivemos um discurso de pais conscientes e maduros, cheios de elogios e palavras de confiança e conforto.
       E saímos de lá, com a nossa medalha de bronze. Preparados para a próxima, pois fizemos a nossa estreia nesse mundo de competições. Ela , nos aparelhos do ginásio. E nós 2 , na arena de pais competitivos da arquibancada...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Este texto lindo eu tirei da página do FB da minha querida Patricia Sbroio Martins, mãe da Julia.  Não tem como não ler, e localizar nele 
as nossas mães ...Leia e ache a sua!
Beijos
Pri


E essa é a minha mãe. Que me deixava lanchinho e jantar no microondas pra 
depois da
faculdade tarde da noite. E sempre com um bilhete. 
E se eu conseguir ser pra Naná um pouco da mãe que ela é para seus filhos, 
já será muito! 
Ela é o máximo!
Mãe, eu te amo!!!

"MÃE"

Mãe não entende se você não come tudo que está no prato.
Mãe não aceita desculpas do tipo 'Se os outros podem, por que eu não posso?'.
Mãe responde: 'Os outros não são meus filhos'.
*****
Mãe adora ouvir o barulho da fechadura quando o filho chega.
Mãe tem cheiro de banho, tem cheiro de bolo, tem cheiro de casa limpa.
*****
Mãe fica assustada quando vê o caso daquela modelo que morreu de anorexia:
'Eu já falei pra você comer tudo!'
Mãe fica assustada quando lê notícia de assalto.
Mãe fica assustada quando lê notícia de acidente.
Mãe fica assustada quando lê notícia de briga.
Mãe fica assustada quando lê notícia.
Mãe fica assustada.
*****
Mãe não está nem aí para o que os outros pensam.
Mãe foge com o filho para o Egito, montada num burrico.
Mãe tem sonho.
Mãe tem pressentimento.
Mãe tem sexto sentido e sétimo, oitavo, nono, décimo.
Mãe não faz sentido (para quem não é mãe).
*****
Mãe chora ao pé da cruz.
Mãe chora em rebelião.
Mãe chora se o filho é messias ou bandido..
Mãe acredita.
Mãe não pode ser testemunha no tribunal.
Mãe é café com leite.
Café com leite, pão com manteiga, biscoito, bolacha de água e sal, banana cozida.
E ainda faz você levar um pedaço de bolo pra casa.
*****
Mãe só tem uma, mas é tudo igual.
Mãe espera o telefone tocar.
Mãe espera a campainha tocar.
Mãe espera o resultado do vestibular.
Mãe espera o carteiro.
Mãe moderna espera e-mail.
Mas espera.
Mãe sempre espera.
*****
Mãe ama. Ama incondicionalmente!
Assim, verbo intransitivo, como queria Mário de Andrade.
Porque, se é mãe, já se sabe o que ela ama.
A culpa é da mãe, dizem os freudianos superficiais.
Os verdadeiros freudianos sabem que, sem mãe, nada feito.
*****
Uma amiga costuma dizer: 'Pai é palhaço, mãe é de aço'.
A frase é interessante, porque o aço é uma liga de ferro e carbono.
Ferro é o símbolo da força; carbono é o elemento presente em todos os organismos vivos.
A mãe constitui a liga entre a fragilidade e a força do indivíduo.
Não há algo mais vulnerável e mais sólido que a maternidade.
Mãe é de aço.
*****
A esta altura, você deve estar perguntando:
'Mas por que esse cara está falando tanto de mãe?'
A verdade é que eu não sei.
Talvez seja porque a palavra mãe não tenha equivalente.
Já notaram? Mãe só rima com mãe.

(autor desconhecido)







sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Igual aos nossos pais

Ainda com Celso Nunes na alma, lembrei do que ele contou sobre sua infância. Que diariamente sua mãe quando penteava seus cabelos espetados, repetia: "Você tem o cabelo espetado igual ao seu avô. Cabelo de quem não leva desaforo pra casa." E ele cresceu ouvindo e acreditando nisso.

E nós, o que ouvimos a vida toda e passamos acreditar como verdade absoluta?
O que nos era dito apenas como uma frase boba repetida várias vezes, mas que se tornou regra incontestável?

Hoje acordei decidida em levar ao ouvido da Naná algumas verdades que ela possa usar como referências boas em sua jornada.
Não precisei muito para perceber duas grandes e verdadeiras semelhanças entre ela e nós (eu e Sam):

Naná tem pernas duras e fortes como o pai. Pernas de quem dá passos determinados pra aprender o que não sabe. Pernas de passos firmes e justos, numa trilha de valores corretos. Pernas de quem não anda fora das regras!

E Naná tem um sorriso aberto, fácil, constante. Como o meu! Sorriso pra qualquer pessoa que cruze o olhar, sorriso de conforto e sorriso cumplicidade. Sorriso de bom dia para o tio que varre a escola e para a melhor amiga. Sem critério de seleção. Risada verdadeira. De quem se preocupa com os outros. De quem gosta de acolher porque espera sempre ser acolhido!

Naná tem duas grandes e verdadeiras semelhanças.
E eu estou orgulhosa delas!

Estreia na vida e na escola.

Ontem, no Pueri tivemos o prazer de ouvir Celso Nunes. Um show! Professor, filósofo, sábio.
Falou muito e tudo. Tudo foi importante e emocionante. Mas uma delas fez a base da minha reflexão: uma pessoa só se torna um individuo determinado, intenso e seguro se antes tiver estreado bem na familia e na escola.
E pensei...

Estrear bem na familia é sentir segurança nesse ambiente, aprender a confiar nos seus passos e escolhas, é receber apoio, boas palavras, amor. É aquela certeza que você pode ir e voltar, pois as portas e braços estarão sempre abertas. Descobrir suas referencias e origens e se identificar com elas.

Estrear bem na escola é enfrentar os desafios novos com coragem, ganhando auxilio sempre que necessário, conquistando diariamente seu crescimento social e intelectual, desenvolvendo o gosto por aprender sempre. É fortalecer diariamente a confiança em você mesmo.

Ambas estreias porém não dependem do ator (ops! Da criança).
O adulto pai, o adulto professor é quem prepara o palco, auxilia nos passos das cenas, cuida para que a auto confiança na relação entre atores se instale,  ajuda, dá a mão se necessário, sorri e em algum momento fala: "Vai sozinho que você dá conta! Mas se precisar de mim, eu tô aqui!!"

Diariamente eu cuido da estreia da minha filha. É um trabalho delicado.
E 4.feira volto para minha nova turma. Meu novo palco, com novas cortinas, novos personagens e enredo. Aliás essa história nem é minha.
A estréia é sempre deles.
Eu fico nos bastidores...
E adoro!